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domingo, 10 de maio de 2015

Residência - Idan Cohen 2014

Residência Artística Com Idan Cohen (Israel)

Texto observatório Viva Dança

Idan Cohen é um dos grandes nomes da dança contemporânea internacional. Suas criações e trabalhos já passaram pelos Estados Unidos, Suíça, Índia, Singapura, Alemanha, Brasil, entre outros países. Além disso, deu aulas na Universidade da Califórnia (EUA), Kullbeg Balle (Suíça), entre outras escolas e companhias de dança de diversas partes do mundo. Para conhecer mais sobre do artista, acesse sua página: http://www.idan-cohen.com/

O VIVADANÇA, em sua 8ª edição, inaugura seu Programa de Residências para Dançarinos. Idan Cohen, coreógrafo israelense escolheu 5 entre 90 candidatos inscritos e durante 10 dias, ensaiando 5 horas por dia, preparou a peça coreográfica Bolero, apresentada no Teatro Moliére, nos dias 12 e 13 de abril.
Para uma cidade peninsular, como Salvador, uma língua de terra mar adentro, talvez simbolicamente ilha, um programa de formação pode parecer, aos olhos do público, apenas como uma oportunidade dada àqueles “nativos” que se formam na arte do movimento.
Para o VIVADANÇA a via de uma ação deste porte é sempre de mão dupla. É importante que os estrangeiros venham de fora para conhecer o que a Bahia produz de material humano neste ofício. É importante que os dançarinos, baianos e brasileiros, troquem outras experiências com outros coreógrafos, de escolas, métodos e exigências diferentes.
A cultura sempre é mix, flex, pronta para o diálogo e a negociação. E não existe dominação cultural se o banquete é ofertado.
Se, na realidade, não é isso o que acontece, se a cultura vem impregnada do preconceito vigente, e das orientações da indústria cultural, sempre pronta para não tirar seu receptor do meio superficial das indagações, há que se romper os lacres com iniciativas que produzam o contato entre os seres, ou melhor, mais do que isso, o que Idan Cohen nomeia de intimidade.
Intimidade que faça coração e mente, forças tão subjetivas, perfazerem o diálogo entre dançarino e coreógrafo.
Que a bagagem, a herança cultural de cada residente possa então se expressar, que o residente seja uma espécie de co-autor dos movimentos que traduzem as intenções narrativas concebidas pelo coreógrafo.
A contemporaneidade ainda conta histórias. Insiste, embora não mais com o objetivo coletivizante de uma Odisséia. Por isto ela ainda hoje é grande. Temos, portanto, as narrativas que merecemos: fragmentadas, anti-heróicas, possíveis. 
Bolero questiona os gêneros, num alerta sobre “o feminino” que encara um século XXI ainda sob extrema violência. Para isso, 5 dançarinos brasileiros, com o estilo autoral presente de Idan, perseguem o tema durante a peça musical de Ravel. A música evolui na sua dinâmica, tão própria e inesquecível, e Bolero chega ao fim.
A cultura dá mais um passo largo, agregando os valores de fontes distintas, propiciando um produto, que de todos, se volta para todos, em um banquete que é perfeito de tão possível que é.
Residentes, eles 5 são residentes no mundo.
Bailarinos selecionados: Guego Anunciação, Sinha Guimarães, Marcela Botelho, Dijalmir Melo, Leonardo Muniz

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